Redação Muito Black Mirror Meu!

Era uma noite de sexta (noite=18h) e o que uma pessoa normal deveria estar fazendo? “Ué, geralmente as pessoas estão numa festa ou sla vendo series na Netflix ate de madrugada, certo?”. Sim, caro leitor, isso é o que uma pessoa normal estaria fazendo. Porém Tony e seus coleguinhas do terceirão não são pessoas normais, pois lá estavam eles fazendo prova de matemática, português e redação também tinha inglês mas ngm liga. E Tony havia acabado de terminar sua prova de português (que por sinal foi onde cometeu um erro horrível ao interpretar um poema da forma mais errada possível) quando virou a página da prova e se deparou com aquele papel que vem na frente da redação com o tema e os textos motivadores. E quando leu o tema não pôde segurar seu grito mental “BLACK MIRROR!”. O tema era mais ou menos isso (desculpa eu realmente não consigo lembrar direito e joguei o papel com o nome fora viva à natureza):

“Os problemas causados pelo uso irresponsável da tecnologia”

Agora você entende porque eu gritei mentalmente “BLACK MIRROR!” quando eu vi? Pois é. Enfim. Eu acabei gostando tanto do tema que consegui fazer uma redação de 30 linhas pela primeira vez em pelo menos um ano. Mas, porém, entretanto, todavia, 30 linhas não eram o suficiente para escrever sobre algo que eu tava tão empolgado. Aí no meio do processo eu pensei “ei isso daria um artigo daora”. E cá estou eu, com meu blog recém-criado, com todas as linhas que eu quiser pra escrever o que eu quiser do jeito que eu quiser (numa redação eu teria perdido uns 80 pontos por repetir “quiser” 3 vezes).

Vamo lá então 

Primeiramente #ForaTemer uma pequena história que vocês lendo talvez se identifiquem. Tony e seu grupo de amigos resolvem sair pra bater papo e esquecer por um momento a bosta completa que é a realidade da vida. O grupo de amigos marca de ir comer pizza. Até ai beleza, show, massa, topster. Aí quando tá todo mundo sentado la comendo pizza, ao invés de o povo conversar ta todo mundo no celular sem trocar uma palavra uns com os outros. Então alguém (não lembro quem, mas acho que fui eu ou Lygia) teve a ideia de todo mundo empilhar os celulares e deixar no silencioso pra obrigar o povo a conversar. A ideia parecia ótima, e até chegou a durar um tempo, até que Alice alguém disse “merda esqueci de ligar pra minha mãe” (ou algo assim). Aí pegou o celular e não deu 20 segundos tava todo mundo sem falar nada com ninguém só no celular.

E ai? Se identificou? Pois é. Essa cena é mais comum que o pão cair com o lado da manteiga pra baixo. O mais foda disso tudo é que depois que você para pra pensar um pouco sobre situações do tipo, da pra concluir que a tecnologia é meio que um paradoxo: ela deixa mais perto quem tá longe, mas também tem todo o potencial pra afastar quem ta perto.

Mas na boa, gente. Ficar reclamando por ai dos males da tecnologia e como isso tem potencial pra prejudicar as relações humanas é ter um olhar muito superficial das coisas. Enquanto há, sim, casos que as pessoas ficam uma do lado da outra sem conversar pessoalmente porque tão ocupadas demais olhando o celular, eu prefiro pensar que isso é apenas ou babaquice desse povo, ou introversão, ou a pessoa está fazendo algo genuinamente produtivo no celular (essa ultima eu acho menos provável, principalmente se for um adolescente). Sério, povo. Quantas conversas fodas já não foram geradas graças à internet e afins, quantas amizades foram feitas na rede mundial de computadores, quantos casais se formaram graças ao Tinder e similares? Todo mundo adora reclamar dos males da tecnologia e bancar o intelectual do textão de Facebook, mas quando é pra ver o lado positivo ou pelo menos colocar na balança os dois lados ai a maioria já desiste porque não da view.

Eu não nego que existem sim males que podem ser criados e/ou potencializados pelo avanço tecnológico. Mas quando você compara o que há de bom que não seria possível 10, 20, 30 ou mais anos atrás com o que há de ruim, acho que é bem óbvio que os memes, as maratonas proporcionadas pela Netflix ganham e os serviços de streaming de música que deixam você ouvir Lana Del Rey na hora do suicidio que você quiser ganham.

Also, acho bem plausível que a culpa não está nem um pouco na tecnologia em sí (pelo menos enquanto não cheguemos na singularidade tenológica), mas sim pela filha-da-putisse que o ser humano é capaz de atingir, afinal nada supera a capacidade do ser humano de ser babaca.

Vou terminar esse texto fazendo um parágrafo-parêntese e dizendo o quão satisfatório é poder escrever um texto e não ter a obrigação de fazer toda uma problematização e ter que achar uma solução e propor uma intervenção com pelo menos dois agentes em até 30 linhas. Sério. Isso é libertador.

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