Hierarquia.

Hierarquia.

Olá, galerinha inexistente!! Eu sou a novata do Merdadehoje (aka Paola) e esse post está saindo em plena terça de feriado carnavalesco. Que bosta de vida. Queria deixar beeeem esclarecido que, ao contrário da personificação de exatas que é Tony, eu respiro humanas. Sério, se fosse um prato seria nomeado Humanas com toques de natureza à gosto (e eu já comecei a falar de comida, que falta de controle).

Então meninas, o tutorial de hoje é como fazer uma maquiagem de carnaval pra seduzir o crush de jeito… e eu sou ridícula, perdoem a babaquice.

Bom, eu passei algum tempo (cof cof 30 minutos cof cof) pensando sobre qual seria o conteúdo dessa minha “coluna”, e fui interrompida por uma DM do Twitter quando uma amiguinha me mandou uma pichação em um muro alheio dizendo “Leia Bauman”. Caralho. Uma pichador conhece Bauman e os playboyzinhos da minha escola não. Enfim, me fez pensar, e novamente eu me peguei fantasiando sobre os relacionamentos modernos. A merda desproporcional que são os relacionamentos modernos. Não me achem antiquada, pelo amor da pizza, eu sou muito mente aberta. Mas caralho, que mundo fodido. Que mundo fodido é esse, que todo mundo evita contato. Evita olhares. Evita calor. Que merda de mundo.

Aí eu resolvi escrever isso, tentando falar sobre o que eu vejo, o que eu penso (mesmo que ninguém ligue), e isso me leva a realidade dos colégios, sua hierarquia ridícula e o quão importante são suas etiquetas. Digo etiquetas e quero englobar desde notas e avaliações acadêmicas até o status que passou a ser medido por poder aquisitivo e “amigos”, fazendo uma comparação com uma pirâmide feudal. Sim, uma fodendo pirâmide feudal, porque eu sou obcecada por história e vocês vão ter que me aguentar.


Comecemos pelo topo, que lá atrás seria o clero, no qual eu posicionarei a elite intelectual. Experiência própria, minha escola tem uma turma diferenciada para os ‘alunos olímpicos’ que é basicamente uma forma de segregar a massa dos queridos pela direção. Aí, o referencial é o cérebro. Ou melhor, a vontade e o esforço que culminam em ótimas notas e desempenhos acima da média em olimpíadas científicas e etc. Assim, faço dos cerebrinhos -que apelido merda- o clero do sistema feudal, que recebe aquela atenção diferenciada da direção e dos professores. Descendo um pequeno degrau, nos deparamos com a nobreza. A estúpida nobreza, classe na qual eu destaco os populares; enfeites humanos, que contam com dinheiro, sorrisos falsos e vestes pomposas. E na minha realidade, esses são a maioria e o destaque desse artigo. Tais indivíduos se mostram como a perfeição, a elite que comanda festas e redes sociais de um círculo fechado e quase impenetrável (quem assistiu Gossip Girl sabe) que se afasta da “ralé” como se fugissem da lepra. E agora eu serei bastante parcial ao chamá-los de despreziveis. Enfim, continuemos, até mais embaixo, chegando na base. Não me demorarei muito, mas é onde a maioria está posicionada. A parte comum, que não se destaca o suficiente para adentrar uma das outras classes e está lá brincando de figurantes, passeando em idas e voltas que nunca serão notadas.

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Mas venho por meio deste trazer-lhes uma reflexão sobre o intermédio da pirâmide. Os nobres da sociedade, com seus bens balançando, sendo exibidos até serem descartados. Descartados e substituídos por algo mais novo, algo “melhor”. Sim, querido desocupado, eu falo aqui da tecnologia, das roupas, das joías. Mas, principalmente, falo das pessoas. As pessoas que vivem suas vidinhas girando nesse mundo, substituindo e sendo substituídas de acordo com as novidades. Gente de plástico, que sorri para o falso, para o montado e alega plenitude. Lamentável. E nessa pessoas, eu aplicarei Bauman, vendo o quão líquidas são as relações na contemporaniedade. Os laços constrúidos de areia, finos castelos de cartas, equilíbrio forçado. O vento destrói a todos, e a tudo, que foi feito temporariamente, desfazendo as conexões modernas em questão de minutos. Não, minutos não… Segundos.

Que bagunça desesperadora, esse mundo globalizado, levando acessibilidade consigo para os quatros cantos do globo e arrastando as fragéis relações humanas pelo chão, fazendo pouco caso da dor e do sofrimento. Os nobres não os possuem. Não os demonstram. Vivem perfeitos, em suas mansões de plásticos, consumindo lixo, vomitando palavras vazias; e preocupados com o vestido exclusivo e com o ângulo da foto perfeita. Rasos.
Seres rasos não são capazes de preencher os espaços que nosso mundo oferece. Sinceramente, apenas ficam pela borda. Boiando sutilmente, como plantas aquáticas que não possuem amarras. Nem segurança. Plantas que estão sujeitas a se perder, pois não disponhem de uma âncora. Dentre tantos bens, não puderam comprar uma âncora, enquanto que os seres vivos que respiram e andam as possuem.

Faltam-se laços. Procura-se amigos. Procura-se algo real, algo sólido, em meio a esse mundo inconsistente. Procura-se.

  • Paola, 28/02/2017.

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