Conexão Seoul-Brasília.

Conexão Seoul-Brasília.

Uma dica, antes de tudo, não suponha o assunto desse post antes de eu realmente dizer.

Hey ho, my dears.

Esse post está saindo horrivelmente atrasado, desculpem o bloqueio criativo. Enfim, my boss (aka Tony) estendeu o prazo – parece formal, mas foi uma conversa de whatsapp – e aqui estou eu em um domingo mais quente que o próprio inferno.

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Descrição dos últimos dias.

Vamos falar dos últimos anos. Vamos falar de k-pop e Córeia do Sul. Caso você seja um eremita e  nunca tenham ouvido falar de k-pop(deixando claro que não falo sobre escutar a música, mas saber o que significa), fique com duas fotinhas que irão lhe familiarizar e te fazer entende o conteúdo desse post. Não vou colocar clipe ou link de música, não quero ter esse trabalho.

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Se até agora você não fechou a página, eu não estou aqui para tentar fazer você escutar k-pop ou algo do gênero. Eu estou aqui pra tentar fazer você pensar sobre o fato de todos os garotos e garotas das fotos acima tem basicamente a mesma aparência e como isso é uma particularidade, ao mesmo tempo que é um grande e purpurinado clichê. Venho por meio deste falar sobre as veleidades dos padrões estéticos. E quem seria melhor pra exemplificar que a Córeia e o Brasil? Não é novidade que brasileiros e brasileiras valorizam mais o corpo que o rosto, mas os papéis se invertem na cultura coreana. O rosto é uma obsessão e isso faz com que aconteçam umas paradas bem estranhas para que se alcance o ideal. Não vou me demorar muito, mas sugiro que vocês pesquisem “Cirurgias no rosto, Córeia” na fonte de todos os saberes da humanidade, o Google, e vejam. Aqui eu vou só jogar um antes e depois básico.

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Dinheiro é aquela coisa…

Primeiro, os olhos. Eles precisam ser grandes para contribuir com a imagem fofa e boneca das meninas, o que faz com que um presente de maioridade ou de graduação suuuuuper popular na Córeia seja a cirurgia de pálpebras, para que esse olhos redondos e grandes sejam obtidos. E eu aqui, sonhando em ganhar acesso às chaves do carro.

Segundo, o maxilar. Esqueça qualquer tipo de forma que você possa achar atraente e foque no V. Isso mesmo, a V-line é um dos modelos estéticos, já que ,supostamente, o maxilar fino confere características delicadas e joviais. Opinião pessoal, eu acho isso uma grande merda. Maxilar marcado e forte é uma das primeiras coisas que eu admiro em um rosto.

Terceiro, a cabeça. Tem que ser pequena. Não entendi muito essa parte, mas aparentemente dá um ar de proporcionalidade com o corpo e alonga a silhueta(?), além de ser algo bonito. Eu hein?! 

Quarto, a cor da pele. Eu queria muito passar o resto do post criticando isso, mas pra encurtar, a pele clara é a mais valorizada por questões históricas, posto que pessoas ricas não trabalham no sol e possuem a pele muito mais clara. Sério, existe uma variedade imensa de produtos para clarear a pele no mercado coreano. E eu vou parar por aqui, por simples questões de indignação.

Quintoooooooo, o corpo. É quase que obrigatório que você tenha o corpo de acordo com os padrões no país. E se você quebrar esse padrão, bullying e todo tipo de merda estará te esperando. O ideal para uma mulher coreana é a faixa dos 50kgs. CIN-QUEN-TA QUILOS. Ah, e é necessário ter peito e bunda avantajados, então encontrem um fucking jeito de ter curvas acentuadas e o peso de uma menina de 13 anos. As garotas são condicionadas para a magreza, junto a uma cintura fina e curvas extremamente difíceis de se conseguir. Enquanto isso, dos garotos são cobrados os tanquinhos bem definidos. Nada fácil também. O negócio fica tão deturpado que ser remotamente gordinho é um constrangimento social que afeta até as relações de famílias, já que o “peso excedente” é motivo de extrema vergonha na Córeia. Eu estaria muito fodida na Córeia com meus 63kgs (olha só a exposição aqui).

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🙂

Cara, é muita coisa pra prestar atenção. Atualmente, você precisa se preocupar com seu corpo, seu cabelo, sua maquiagem, suas roupas, sua vida social – o que é isso? É de comer? – e a importância que todas essas coisas tem pra o mundo é imensa. Nem adianta querer pagar de vibes, desconstruído e dizer que não tá nem ligando pra como o resto das pessoas está te vendo. Você liga. Você se importa. E até seria okay, se o mundo não girasse só ao redor disso. Não sou hipócrita para me excluir da situação, eu ligo pra opinião pública. Mas a diferença é no parar de viver a minha vida plenamente como eu quero para fazer isso. Deixar de fazer algo divertido com amigos por estar preocupado com a própria imagem é algo que me parece extremamente estúpido e que não vale meu esforço.

Não é como se eu estivesse dizendo pra você ligar o botão do Foda-se, mas a vida é, de fato, sua. E eu só acho bem bobo passar o pouco tempo que você vai ter pra se aproveitar pensando em como está a sua aparência na cabeça de outras pessoas. Não são só coreanos, não são só brasileiros, é todo o fucking mundo.

E nisso a gente vai perdendo. Perdendo o mundo, a vida e o tempo. Principalmente o tempo. Aceitação é uma dádiva, e perfeição não existe.

 Aliud alic vitio est. Cada qual tem seu defeito.

Paola, 19.03.2017

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